sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Desabafo.


Já não me sinto bem. Prefiro conversas incessantemente inteligentes, mais maduras. Prefiro outro ambiente. Talvez por ser novidade, mas não acho que seja isso. Filosofando: cresço um bocadinho todos os Verões. Fim – este ano foi diferente, costumo notar a diferença quando vou para a escola, este ano não, foi um bocadinho mais cedo… Levaram-me para outro ambiente, e eu adorei. Adorei o acolhimento e a simpatia. Adorei os anos a mais. Identifico-me mais com eles, acho-os mais parecidos comigo. Só me falta o que chamam de «requinte universitário», mas não lhes importa, gostam de mim na mesma - e eu - eu… Adorei-os.


Até já, Adoro-te.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

terça-feira, 26 de agosto de 2008

O amor ?

"Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo. O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão.

Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.

Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, banancides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.

Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental".

Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra.

A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.

Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."

O amor é fodido - Miguel Esteves Cardoso

domingo, 24 de agosto de 2008

Voltar.



terça-feira, 19 de agosto de 2008

Eu, Rita.

O meu nome é Rita, tenho dezassete anos e quase três meses. Sonho com o dia em que vou fazer dezoito: com a minha festa perfeita, recheada de amigos perfeitos, num sitio de cortar a respiração, com vestidos e fatos, com a família perfeita, com as prendas que eu sempre quis. Ora aí um defeito meu – o pior – FANTASIA. Eu fantasio, eu sonho, eu sou menina de contos de fadas e histórias de amor como se vê nos filmes; há quem diga que não existem, mas eu acredito que sim. Acredito tanto em coisas perfeitas, que quero sempre mais, e mais. Isto é um defeito? Ambição nunca fez mal a ninguém. Pelo menos, as minhas fúteis ambições, a que posso chamar «desejos». Os meus desejos são todos relacionados com o Amor – desejo estar sempre bem com os meus pais, mas não consigo; desejo ter um namorado, um namorado que mereça o meu “Amo-te,(…)”; desejo nunca me separar das minhas três maiores amigas; desejo ter a casa com que sempre sonhei; desejo ter três filhos e dois cães; desejo ser feliz. – Tudo isto depende de mim, mas também depende dos pais, do namorado, das amigas. É por isto que todos me acham tão imperfeita: por pensar. Mas é normal. Desde pequenina… Sempre foi o meu instinto. Eu casava as minhas Barbies, hora a hora. Eu cuidava dos meus bebés e tinha muito cuidado para eles não cairem do carrinho quando os levava a passear com os avós pelo passeio. Eu fazia comida de plasticina e brincava às donas de casa com a minha amiga Margarida. Eu limpava a minha tendinha com um trapinho húmido, porque era a minha casa. Mais tarde, ainda eu não sabia o que isso era, dizia que, quando fosse grande, queria ter um namorado mais velho que eu, para ele cuidar de mim. Há um ano atrás, ainda dizia «Amo-te» sem amar. Há um ano atrás, ganhei coragem e libertei-me, pensava eu. Continuo uma criancinha, mas a comida já não é de plasticina, o namorado já não é só uma ideia, a limpeza já é feita numa casa a sério. Sou uma mulher, mas tenho necessidades de menina. Sim, eu, Rita, preciso de tudo o que precisava quando tinha menos 10 anos, mas agora, que já percebo o que isso implica, passo-me com tudo, e com nada. Não faz mal. Eu nunca desisti de nada - só da maior parte dos desportos que pratiquei, mas aí era tudo fácil, eu pedia, e faziam-me as vontades - e não vou desistir agora. Eu, Rita, vou ter tudo o que quero – melhor ou pior, com ou sem esforço, mas vou! Eu não vou mudar a minha maneira de pensar porque a Sílvia me diz frases com que concordo, eu não vou deixar de fantasiar porque o Francisco me tem feito chorar, eu não vou deixar de pensar em Amor porque me dizem que não há amor. Há amor, pelo menos para mim. – Depois de escrever sinto sempre um vazio, porque me exponho para quem vier aqui parar e «me» ler, porque não tem mais nada que fazer. Mas e depois? Aposto que não sou a única a sentir o que sinto. Aposto que não sou única. Aposto que há mais como eu. Se não houver, vê a sorte que tenho, e o que andam a perder por não viver tão intensamente como eu. Sim, eu, Rita, agarro-me a tudo o que venha ter comigo, custa-me largar, mas também consigo, se quiser. No teu caso, Francisco, não quero. E não te vou deixar sem tentar perceber o que vai dentro de ti, do que vai para além da cara de mau e das respostas tortas. Há quem me ache estúpida por me preocupar tanto, mas eu não quero saber. Há quem diga que sou paranóica, mas eu não quero saber. Há quem diga que sou falsa, mas continuo a não querer saber. Não sou estúpida ao ponto de me ficar, não sou paranóica ao ponto de cometer crime. Quando à falsidade… Tenho a capacidade de me adaptar ao que quero… Tu não consegues? Tenho pena meu amigo, não tens noção do que ganho por me dar com pessoas tão diferentes. Essas pessoas vão-me dando qualquer coisa. Quando tiver de contar a historia das minhas rugas, quero poder ocupar tardes e tardes com palavras bebidas por quem me quiser ouvir. Não quero saber se alguém lê isto. Só o quero ter aqui, porque tudo o que escrevo no papel, acaba por ir para ao lixo num impulso estúpido.

Inveja-me.
Eu já sei o que é odiar.
Eu já sei o que é amar.
Eu já sei o que é a vida.
Eu já sei o que é a morte.
Eu sei o que é rir com vontade.
Eu sei o que é levar uma chapada da vida.
Inveja-me!


P.s. – ups, estou atrasada :x

Orgulho macho... talvez.

Não és só tu. Não há um rapaz diferente de ti, e tu, não és diferente dos outros. São todos a mesma merdinha orgulhosa que não cede numa discussão, que tem sempre mais um ponto a acrescentar às estúpidas reticências das raparigas apaixonadas, que cedem, que engolem o orgulho e correm atrás dos namorados/(?), com palavras de «justificação» que não deviam sair da boca delas, com olhos grandes e brilhantes que, acima do orgulho, só os querem de volta. Não percebem, ou, na minha mísera opinião, fingem não perceber – é tão mais fácil «sair por cima» - mas descansa, não és só tu. Não percebem, ou fingem não perceber, que as raparigas gostam de atenção, de romance, de surpresas, de provas de amor. Há os que nem se esforçam por nos satisfazer os caprichos, e há os que o fazem por saber que nós, as raparigas apaixonadas, lhes vamos agradecer como eles querem. Não, não generalizo. Há os que Gostam, e esses, percebi eu ontem, fazem tudo - tudo - por elas: não importa amigos, família. Eu tenho um irmão, tenho um irmão que Gostou de poucas raparigas, que me choca com as coisas que diz, que me mostra o que os rapazes são, quando não Gostam. POR FAVOR, salvem-me!

Quando um rapaz Gosta de uma rapariga, ela sente. Sente, e mesmo que o tecto lhe caia em cima da cabeça, ela continua a sorrir. É daquelas comodidades da vida, tão simples, que não vêm com o vento. Demora tempo, muito mais tempo, para um rapaz gostar de uma rapariga. Mas os rapazes são sim, tão retardados em relação a nós, as raparigas.

Não estive cá três semanas. E depois? Hoje vou-me embora outra vez e quando voltar, estas tu fora. São 5 semanas longe. Mas a culpa não é da distancia. A culpa é minha, a culpa é tua, a culpa é nossa. Tens tanta culpa como eu, a única diferença é que eu cedo, dou-te toda a razão só para conseguir um abraço. Desnecessário, tão desnecessário. Já meti na cabeça que gostas de mim, mas tu teimas em tentar arrancar o que eu alcancei psicologicamente. Dizes que são «blablablas desnecessários», as minha acusações de «não te importas comigo» mas é verdade; não queres saber quando eu tenho problemas, se calhar porque não sabes o que isso é, se calhar por seres rapaz, não tens regras como eu tenho, não ouves o que eu oiço. És rapaz… Não percebes porque é que penso tanto no futuro, não consegues perceber a razão que me leva pensar antes de agir. Eu chamo-lhe responsabilidade e auto-respeito.

Não sei o que aconteceu connosco, mas a culpa não é da distancia. Eu não preciso de te ver para continuar a gostar de ti. Já me disseram que era muito pouco física, bem… eu digo que sou sentimentalista. Há duas noites atrás tinha tantas certezas… Roubaste-mas, outra vez.

É o teu orgulho macho a falar mais alto que o «gosto de ti»? – não digas que não podes fazer nada para mudar a maneira como penso, porque isso não é verdade. Não digas que estás na mesma onda que eu, porque se tivesses, davas-me mais. Não quer isto dizer que não gostes de mim, quer apenas dizer que te tinha dito isto tudo hoje, mas, mais uma vez, a nossa sorte deu sinais de vida.

Não tens de andar a correr de um lado para o outro.

Não tens de aturar as minhas medinhas.

Não tens de ler os meus textos.

Não tens de gostar de mim.

Tu não tens de nada.




Vale a pena? Já não sei outra vez.




segunda-feira, 18 de agosto de 2008