quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

histórias de encantar

O problemas das histórias é que foram feitas para serem contadas. 

Todas as histórias têm de ter um fim, se não deixam de ter significado. O problema é que, quando acabam mal, tendem a não terem acabado. O problema de não terem acabado, é que por muito que quem as viveu as queira contar, contar dói. O problema de doer, é que mesmo que doa, as histórias têm de ser contadas e quem as viveu é que as sabe contar, como elas merecem ser contadas, e então contam. O problema de quem as viveu contar é que, ao contá-las, voltam a viver tudo outra vez. O problema de viver tudo outra vez é que dói. O segundo problema de doer é que, com a dor, vem a vontade de deixar de doer, e costuma deixar de doer se quem as viveu se comece a lembrar do bom e ponha o mau num cantinho muito pequenino e insignificante. O problema de pôr o mau num cantinho muito pequenino e insignificante, é que passa a raiva e o ressentimento. O problema de passar a raiva e o ressentimento, é que vem a saudade. O problema de vir a saudade, é que com ela vem a vontade. O problema de vir a vontade... - esse sim, é um enorme problema.  

A parte boa disto tudo é que esta nostalgia de quem viveu as histórias que valem a pena serem contadas passa. Passa tão depressa como veio... não passa? Já passou, agora voltou, por isso vai passar outra vez. Porque é que as histórias não passam de mal-resolvidas para resolvidissimas? Porque quem viveu estas histórias, no fim, joga jogos de poder. Do que é que serve? Nada. Então porque é que não se resolvem? Porque as grandes histórias nunca são simples. 

O problema das histórias é que foram feitas para serem contadas. 

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