terça-feira, 19 de agosto de 2008

Eu, Rita.

O meu nome é Rita, tenho dezassete anos e quase três meses. Sonho com o dia em que vou fazer dezoito: com a minha festa perfeita, recheada de amigos perfeitos, num sitio de cortar a respiração, com vestidos e fatos, com a família perfeita, com as prendas que eu sempre quis. Ora aí um defeito meu – o pior – FANTASIA. Eu fantasio, eu sonho, eu sou menina de contos de fadas e histórias de amor como se vê nos filmes; há quem diga que não existem, mas eu acredito que sim. Acredito tanto em coisas perfeitas, que quero sempre mais, e mais. Isto é um defeito? Ambição nunca fez mal a ninguém. Pelo menos, as minhas fúteis ambições, a que posso chamar «desejos». Os meus desejos são todos relacionados com o Amor – desejo estar sempre bem com os meus pais, mas não consigo; desejo ter um namorado, um namorado que mereça o meu “Amo-te,(…)”; desejo nunca me separar das minhas três maiores amigas; desejo ter a casa com que sempre sonhei; desejo ter três filhos e dois cães; desejo ser feliz. – Tudo isto depende de mim, mas também depende dos pais, do namorado, das amigas. É por isto que todos me acham tão imperfeita: por pensar. Mas é normal. Desde pequenina… Sempre foi o meu instinto. Eu casava as minhas Barbies, hora a hora. Eu cuidava dos meus bebés e tinha muito cuidado para eles não cairem do carrinho quando os levava a passear com os avós pelo passeio. Eu fazia comida de plasticina e brincava às donas de casa com a minha amiga Margarida. Eu limpava a minha tendinha com um trapinho húmido, porque era a minha casa. Mais tarde, ainda eu não sabia o que isso era, dizia que, quando fosse grande, queria ter um namorado mais velho que eu, para ele cuidar de mim. Há um ano atrás, ainda dizia «Amo-te» sem amar. Há um ano atrás, ganhei coragem e libertei-me, pensava eu. Continuo uma criancinha, mas a comida já não é de plasticina, o namorado já não é só uma ideia, a limpeza já é feita numa casa a sério. Sou uma mulher, mas tenho necessidades de menina. Sim, eu, Rita, preciso de tudo o que precisava quando tinha menos 10 anos, mas agora, que já percebo o que isso implica, passo-me com tudo, e com nada. Não faz mal. Eu nunca desisti de nada - só da maior parte dos desportos que pratiquei, mas aí era tudo fácil, eu pedia, e faziam-me as vontades - e não vou desistir agora. Eu, Rita, vou ter tudo o que quero – melhor ou pior, com ou sem esforço, mas vou! Eu não vou mudar a minha maneira de pensar porque a Sílvia me diz frases com que concordo, eu não vou deixar de fantasiar porque o Francisco me tem feito chorar, eu não vou deixar de pensar em Amor porque me dizem que não há amor. Há amor, pelo menos para mim. – Depois de escrever sinto sempre um vazio, porque me exponho para quem vier aqui parar e «me» ler, porque não tem mais nada que fazer. Mas e depois? Aposto que não sou a única a sentir o que sinto. Aposto que não sou única. Aposto que há mais como eu. Se não houver, vê a sorte que tenho, e o que andam a perder por não viver tão intensamente como eu. Sim, eu, Rita, agarro-me a tudo o que venha ter comigo, custa-me largar, mas também consigo, se quiser. No teu caso, Francisco, não quero. E não te vou deixar sem tentar perceber o que vai dentro de ti, do que vai para além da cara de mau e das respostas tortas. Há quem me ache estúpida por me preocupar tanto, mas eu não quero saber. Há quem diga que sou paranóica, mas eu não quero saber. Há quem diga que sou falsa, mas continuo a não querer saber. Não sou estúpida ao ponto de me ficar, não sou paranóica ao ponto de cometer crime. Quando à falsidade… Tenho a capacidade de me adaptar ao que quero… Tu não consegues? Tenho pena meu amigo, não tens noção do que ganho por me dar com pessoas tão diferentes. Essas pessoas vão-me dando qualquer coisa. Quando tiver de contar a historia das minhas rugas, quero poder ocupar tardes e tardes com palavras bebidas por quem me quiser ouvir. Não quero saber se alguém lê isto. Só o quero ter aqui, porque tudo o que escrevo no papel, acaba por ir para ao lixo num impulso estúpido.

Inveja-me.
Eu já sei o que é odiar.
Eu já sei o que é amar.
Eu já sei o que é a vida.
Eu já sei o que é a morte.
Eu sei o que é rir com vontade.
Eu sei o que é levar uma chapada da vida.
Inveja-me!


P.s. – ups, estou atrasada :x

2 comentários:

Whispered disse...

Novamente, soam-me a palavras roubadas do meu coração, Rita*
Unbelievable :O

Silvia de Santa Bárbara disse...

Quando tiveres de contar as historias das tuas rugas, eu vou, de certeza, estar lá para Oouvi-as x$, ou re-lembra-las x$